O MP sustentou ainda que a pavimentação da rodovia não é urgente e beneficia "diretamente" a fazenda de José Eliton. O promotor afirmou que o inquérito aberto permitirá uma "investigação minuciosa dos fatos", para saber se o vice-governador cometeu ato de improbidade administrativa.

O vice-governador diz que a estrada é um projeto que surgiu ainda na década de 70, que na década de 80 já foram instaladas pontes de concreto e que só comprou a fazenda em 2008. O projeto executivo de pavimentação, no entanto, foi concluído em 2016, segundo ele. A licitação e o convênio saíram no mesmo ano.

– Comprei a fazenda antes de ser político. Essa discussão é surreal – afirma José Eliton.

Segundo o tucano, o governo constrói 300 quilômetros de rodovias no nordeste goiano, região onde está a estrada que corta sua fazenda. Esta rodovia passa pelo Portal do Vale do Paranã e chega ao Portal do Parque de Terra Ronca, ambos bastante turísticos, conforme o vice de Perillo.

Não fui eu que autorizei a fazer. Isso faz parte de um planejamento do governo para região. São mais de 70 quilômetros. Este é o primeiro trecho. Depois, os outros 40 quilômetros terminam na gruta de Terra Ronca.

O fato de eu ter uma propriedade rural deveria impedir a pavimentação? – questiona o vice-governador.

A licitação está prevista para janeiro de 2018 e a conclusão da obra, para novembro do mesmo ano.

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Política - Estado de Goiás – Publicado em 22 de novembro de 2017

 

Ministério Público pede suspensão de obra que asfalta estrada que corta fazenda do vice governador

O governo de Goiás pavimenta o trecho de uma estrada, a um custo de R$ 65,8 milhões, que corta uma fazenda de propriedade do vice-governador do estado, José Eliton (PSDB), pré-candidato a governador em 2018. O trecho das obras tem quase 30 quilômetros, dos quais "de 2 a 3 quilômetros" passam no meio e ao lado da propriedade rural, segundo o próprio vice-governador.

O Ministério Público (MP) de Goiás instaurou um inquérito civil público para investigar a obra e um suposto benefício ao vice de Marconi Perillo (PSDB).

Em recomendação expedida nesta quinta-feira, o MP pediu a imediata suspensão do convênio que garante o asfaltamento da rodovia, por entender que "resta clara a inexistência de melhoria direta no acesso ao Parque Estadual de Terra Ronca". O acesso ao parque é o objeto inicial do convênio, o que, na visão do MP, não está contemplado na execução das obras.

O convênio entrou em vigor nos últimos dias de 2016. O objetivo é a "terraplanagem, pavimentação asfáltica, drenagem, obras de arte complementares, correntes e especiais, ponte em concreto armado e sinalização na GO-453, trecho Posse/Guarani", como consta na descrição do contrato. A parceria é entre a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego).

A estrada passa pela cidade de Posse, pelo povoado de Marmelada, pelo município de Iaciara, povoado de Claretiana e, então, cidade de Guarani. A fazenda de José Eliton está entre Marmelada e Claretiana. Tem 230 alqueires, segundo o vice-governador, e as terras são usadas na produção pecuária. Ele reconhece que o asfaltamento da estrada que corta sua fazenda vai beneficiar a produção de gado na área.

– O objetivo também é econômico, para a agropecuária. Mas o foco central é no turismo – disse o vice-governador de Goiás.

Parque Terra Ronca', o asfaltamento não alcançará diretamente o parque, que possui como forma de acesso a já asfaltada rodovia GO-108", afirma o promotor de Justiça Fernando Krebs na recomendação de suspensão do convênio. O acesso à área turística de Terra Ronca exige percorrer ainda 40 quilômetros de estrada de chão, segundo o promotor.