De acordo com a polícia, um serviço que seria gratuito para o familiar acabava sendo pago em um momento de dor para as vítimas.

"O que não pode, o que é antiético, o que é criminoso é o médico declarar um óbito sem, sequer, ver o falecido ali à sua frente. Isso é crime", afirma o promotor de Justiça de Defesa da Saúde do Ministério Público do DF, Maurício Miranda.

A operação, batizada de Caronte, faz referência ao "barqueiro dos mortos" na mitologia grega, que leva as almas pelo rio Estige para entregar ao deus Hades. A investigação começou em abril deste ano, após servidores do IML desconfiarem da ação dos criminosos.

A suspeita surgiu porque, em um dos casos, o carro de remoção do instituto (conhecido como 'rabecão') chegou a um endereço para recolher o cadáver, antes mesmo que a família pudesse ligar para informar do cancelamento. No local, servidores ouviram dos familiares que "a morte já tinha sido atestada por um médico do IML" – neste caso, um integrante do esquema criminoso.

De acordo com a polícia, as prisões e buscas desta quinta representam apenas "a primeira fase" da Operação Caronte, e há expectativa de que o esquema seja muito maior. Os investigadores já identificaram 30 famílias, mas acreditam que muitas vítimas ainda não se deram conta do golpe.

Os presos vão responder por associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica, interceptação ilegal, usurpação de função pública, falsidade de atestado médico, corrupção ativa e passiva.

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Corrupção - Valparaiso de GoiásPublicado em 26 de outubro de 2017

 

Diretor Técnico do Hospital Municipal de Valparaiso é preso em operação da Polícia Civil do DF

A Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal realizaram uma operação na manhã desta quinta-feira (26) para prender 12 pessoas suspeitas de participar da chamada “máfia das funerárias”, que cobrava entre R$ 1,5 mil e R$ 8 mil por atestados de óbitos. O golpe acontecia porque os suspeitos simulavam ser do Instituto Médico Legal (IML).

Entre alvos estão empresários e um médico dono de uma clínica em Formosa, no Entorno. Um vigilante do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) também é alvo de mandado de prisão temporária. Paralelamente, estão sendo cumpridos ainda 12 mandados de busca e apreensão, em Vicente Pires, Lagos Sul e Norte e Taguatinga.

A "máfia das funerárias" que fez centenas de vítimas no Distrito Federal, a estratégia para extorquir dinheiro é descrita em conversas gravadas pela Polícia Civil, com autorização da Justiça.

Em um dos áudios, o médico e diretor técnico do Hospital municipal de Valparaiso - "Agamenon Martins Borges" conversa com um empresário, dono de funerária, sobre a melhor forma de convencer as famílias a investir nos documentos e no sepultamento. Segundo a polícia, Agamenon já prestou serviços ao Instituto Médico Legal (IML).

Segundo investigação da polícia, os empresários e funcionários de funerárias copiavam a frequência do rádio da Polícia Civil para chegar na frente dos servidores do IML.

Quando alguém morria por morte natural, por exemplo, antes mesmo da chegada do carro de recolhimento dos corpos, conhecido como “rabecão”, eles faziam contato com familiares e se passavam por agentes públicos de captação de órgãos.

"Por meio dos contatos [com as famílias], os criminosos informavam sobre suposta parceria para atestarem o óbito fora do IML, alegando que o processo seria mais rápido e “menos doloroso”. Para completar o golpe, as funerárias retornavam para as famílias e confirmavam a informação, oferecendo serviço médico de atestado de óbito, bem como serviços funerários."

Chegando no local, faziam o levantamento do poder aquisitivo das vítimas e conseguiam enganá-las a ponto de convencê-las a cancelar a solicitação de rabecão.

Com o atestado de óbito dado por um médico, que assinava um laudo com a causa da morte sem ao menos olhar para o cadáver, a funerária entrava em ação e tomava a frente do enterro das pessoas.