Parte dos funcionários cita como o empresário Carlos Eduardo Pereira da Costa, da Sanefer - recordista em valores de contratos com a estatal na lista de denunciados - circulava à vontade na sede da Saneago, tanto nas diretorias como participando de reuniões internas. Carlos Eduardo era influente também em outras áreas do governo, cedendo voos para o vice-governador - na época também secretário de Segurança Pública - participar de eventos políticos no interior, em 2016, ano de sucessão municipal, e para o então chefe de Gabinete do governador Marconi Perillo (PSDB) Luiz Alberto de Oliveira, conhecido como Bambu. Relatórios também apontam suspeitas de privilégio em pagamentos para a Sanefer e repasses de caixa 2 a candidatos.

O próprio Carlos Eduardo admitiu em depoimento à PF que cedeu voos para a campanha do PSDB ao governo, em 2014, e que acredita que isso esteja declarado na prestação de contas das campanhas, mas não abordou os episódios de 2016.

Em outros dois depoimentos de servidores, uma ex-superintendente e um ex-gerente, relatam de que a Saneago bancou a montagem do comitê central da campanha de Marconi em 2014, na BR-153. Marconi e José Eliton negam uso político da Saneago.

 

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Goiás - Gerenciamento de recursos públicos – 26-01-2018

 

 

Crise hídrica: Prefeitos denunciam falta de investimento da Saneago

Aos poucos, vai ficando bem mais claro o motivo da crise hídrica que assolou Goiás durante o último período de seca. Além do uso político da Saneago pelo governador Marconi Perillo (PSDB), a estatal também não realizou investimentos necessários para manter cidades do interior abastecidas.

A denúncia foi feita ao jornal O Popular por prefeitos de munícipios como Pontalina, Alto Paraíso de Goiás, Hidrolina, Mundo Novo e Piracanjuba.

“O sistema de distribuição de água é muito antigo, desde a década de 80, sem mudança, só acréscimo de poços artesianos”, disse o prefeito Martinho Mendes (PR), de Alto Paraíso de Goiás. A cidade, que é turística, sofre ainda mais com a falta de água, já que perde turistas e arrecadação com o desabastecimento.

Em Hidrolina, o prefeito Osvaldo Moreira (PSDB) revelou que teve que utilizar um caminhão-pipa para buscar água na cidade de São Luís do Norte. Em Mundo Novo, o prefeito Hélcio Alves (PR) relatou que passou por problemas graves de falha no abastecimento público no ano passado, chegando a ter que fazer rodízio.

Em Valparaiso de Goiás, Cidade Ocidental, Novo Gama, e Luziânia a situação não é diferente, a precária e insuficiente infraestrutura da Saneago tanto na fiscalização dos córregos que atendem estas cidades quanto no precário sistema, promovem desabastecimentos frequentes.

Falta dinheiro para infraestrutura e sobram recursos para investimentos políticos - Documentos das investigações da Operação Decantação, do Ministério Público Federal (MPF-GO) e da Polícia Federal (PF) apontam para suspeitas sobre o uso político da estatal goiana Saneago.